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Primeira vez na história: UnB com mais mulheres

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A Universidade de Brasília (UnB) alcançou um marco histórico: pela primeira vez desde sua fundação, em 1962, as mulheres são maioria no corpo discente. Esse dado, divulgado no último censo universitário, reflete uma tendência nacional e global de aumento da participação feminina no ensino superior, mas também traz à tona discussões sobre equidade de gênero, desafios persistentes e o significado dessa conquista.

Um panorama da presença feminina na UnB

Os números mostram que, atualmente, as mulheres representam 52% dos estudantes matriculados na UnB. Esse crescimento é ainda mais significativo quando analisado em conjunto com dados históricos: há algumas décadas, a presença feminina era minoritária, especialmente em cursos tradicionalmente dominados por homens, como Engenharias e Ciências Exatas.

A mudança não se limita apenas à quantidade, mas também à diversificação das áreas de estudo. Mulheres estão cada vez mais presentes em cursos como Ciência da Computação, Física e Matemática, rompendo estereótipos de gênero que por muito tempo as afastaram dessas disciplinas.

Fatores por trás da mudança

Vários elementos contribuíram para essa virada histórica:

  1. Políticas de inclusão e permanência – A UnB tem implementado programas de assistência estudantil, como bolsas, moradia e apoio psicológico, que beneficiam especialmente mulheres em situação de vulnerabilidade.
  2. Representatividade – A maior visibilidade de professoras, pesquisadoras e profissionais bem-sucedidas em todas as áreas inspira jovens a seguirem seus passos.
  3. Mudanças culturais – A sociedade vem questionando papeis de gênero tradicionais, permitindo que mais mulheres optem por carreiras antes consideradas “masculinas”.
  4. Ações afirmativas – Cotas para negros, indígenas e estudantes de escolas públicas também impactaram positivamente a presença feminina, já que mulheres são maioria entre os beneficiários dessas políticas.

Desafios que persistem

Apesar do avanço quantitativo, desigualdades estruturais ainda existem. Em cargos de liderança, como reitoria e chefia de departamentos, a representação feminina segue abaixo do ideal. Além disso, mulheres ainda enfrentam assédio, dupla jornada (para aquelas que conciliam estudos e cuidados familiares) e disparidades salariais após a formatura.

Outro ponto crítico é a sub-representação feminina em pós-graduações de certas áreas, como Engenharias e Tecnologia, indicando que o “teto de vidro” acadêmico ainda não foi totalmente quebrado.

O que isso significa para o futuro?

A maioria feminina na UnB é um símbolo de progresso, mas não deve ser vista como um ponto final. É preciso garantir que essa presença se traduza em equidade real, com mais mulheres em posições de poder, salários justos e ambientes livres de discriminação.

Além disso, a universidade tem o papel de fomentar pesquisas e debates sobre gênero, contribuindo para uma sociedade mais igualitária. Se a UnB quer ser pioneira não apenas em números, mas em transformação social, deve continuar investindo em políticas que apoiem as mulheres em todas as etapas de suas trajetórias acadêmicas e profissionais.

Conclusão

A UnB entrar para a história como a primeira geração com mais mulheres que homens é um passo importante, mas apenas o início de uma longa caminhada. Celebrar essa conquista é essencial, mas não pode eclipsar a luta contínua por igualdade – dentro e fora das salas de aula. Afinal, educação não é só sobre ocupar espaços, mas sobre transformá-los.

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